-

Judaísmo Com Sentido

 Palestra para os pais(proferida em setembro de 2001)


Elie Wiesel, reconhecido universalmente como o escritor do Holocausto, resumiu nossa inigualável sobrevivência atual com as seguintes palavras: “Nós somos a mais amaldiçoada e a mais abençoada de todas as gerações. Somos a geração de Job, mas também somos a geração de Jerusalém”. A tentativa de genocídio de nosso povo e o retorno subsequente à nossa Terra Mãe, prometida biblicamente, serão, certamente, anotados pelos historiadores como dois dos acontecimentos religiosos mais significativos do século XX. Outra realidade da vida judaica, consequência do Holocausto e do renascimento de Israel, tem um significado relativamente maior: o indescritível assassinato de 6 milhões de inocentes que desapareceram só porque eram judeus levou os sobreviventes a procurar uma melhor compreensão de sua tradição e de sua herança, que foram quase apagadas. A suprema ironia da era posterior ao nazismo é que a solução final deu origem a um renascimento religioso, o movimento dos baalei teshuváh – retorno religioso à nossa fé –, algo nunca antes testemunhado na história judaica com tamanha intensidade. D’us não morreu em Auschwitz O que ficou, metaforicamente, claro para Moshéh, no seu primeiro encontro com o Todo-Poderoso, tornou-se, miraculosamente, aparente ao contemplarmos o fracasso de Hitler, o moderno Haman, quando procurou destruir totalmente o nosso povo. Por que D’us manifestou-se inicialmente a Moshé, escolhendo-o para liderar o povo da escravidão para a liberdade, “em um arbusto (senéh) que queimava pelo fogo e não era consumido”? Não tencionava demonstrar que podia fazer milagres. Poderia ter escolhido outro entre uma infinidade de feitos diferentes. Mas o senéh – no lugar posteriormente denominado Sinai, onde a Toráh nos foi concedida – era uma planta cuja indestrutibilidade serviria como um paradigma do poder inigualável do povo judeu, da capacidade de não ser consumido através da história. Contra as leis da natureza, contra todos os princípios da história, como codificados por historiadores como Toynbee, e contra o exemplo de todas as nações que existiram antes ou ao mesmo tempo em que nós e que já desapareceram, os judeus foram oferecidos aos fogos, dos crematórios e das tochas, de incontáveis inimigos, e “não foram consumidos”. Os atuais sobreviventes dos horrores nazistas podem ser desculpados se a sua resposta teológica à perda de aproximadamente dois terços de nosso povo foi a rejeição de D’us dos seus pais. Na verdade, muitos escolheram a estrada da negação religiosa. Muitos outros viram naqueles eventos irracionais um desafio espiritual. Não foi D’us no céu que falou aos seus filhos, mas os seres humanos aqui embaixo que demonstraram quão bárbaros são os seus comportamentos quando guiados unicamente pelos padrões e valores seculares. Os alemães nos deixaram questões: 6 milhões no mínimo. Tornou-se uma suprema tarefa da geração pós-Holocausto procurar e investigar, perguntar e refletir, tentar compreender uma fé que passou pelos testes do tempo, mas parece ter perdido o confronto com a razão e com a crença e continua permanente em um D’us onipotente e beneficente. Milhares de anos atrás, durante o primeiro Holocausto na história judaica, que aconteceu no Egito, o grito da luta foi: “Deixe o meu povo ir” (“Let my people go”). Em nosso tempo, consequência de um período de incompreensão, o Rabi Steinzaltz deu origem a um novo slogan: “Deixe o meu povo conhecer” (“Let my people know”). O conhecimento é mais forte que o poder. Como Salomão escreveu no Livro dos Provérbios: “Se lhe falta conhecimento, o que é que você tem? Se você tem conhecimento o que é que lhe falta?”. Os sobreviventes têm de saber o propósito do seu advento, de sua existência. E a resposta deve ser mais que a banal referência a uma “tradição” ou a um “violinista no telhado”. “Deixe o meu povo conhecer” – e dezenas de milhares de judeus, nos Estados Unidos, na Europa, em Israel, procuraram resposta nas sinagogas, nos cursos de educação para adultos, nos programas de estudos judaicos, nos grupos de estudos chavuráh. E centenas de novas escolas floresceram para dar sustento espiritual aos sedentos de conhecimento judaico de nossa geração. De onde surgiram tantos baalei teshuváh? Os místicos sugerem uma resposta fascinante. Seis milhões de pessoas desaparecem. Entre elas, aproximadamente, 2 milhões de crianças – bebês e adolescentes – impedidas de exercer o seu potencial de vida. É possível que D’us lhes tenha dado uma “segunda oportunidade” e que de fato a grandeza do movimento dos baalei teshuvá reflete aquela multidão de almas que reencarnaram e estão espalhadas pelo mundo? E aqui no Brasil e na América Latina, será que essas almas reencarnaram? Parece que o Holocausto da assimilação vai nos consumindo se não conseguirmos incendiar o arbusto de nossa sobrevivência. O que fazer para despertar nossas comunidades para o fogo que não consome e que dá vida? A resposta, no meu entender, está no slogan do Rabi Adin Steinzaltz: “Deixe o meu povo conhecer!”. Deixe o meu povo conhecer a sua história. Deixe o meu povo conhecer a história de seus sábios. Deixe o meu povo conhecer como sobrevivemos a 4 mil anos de história. Deixe o meu povo conhecer que somos mais ou menos 15 milhões – dentre os 5 bilhões de habitantes deste planeta – e que, apesar de numericamente pequenos, somos ainda uma luz para toda a humanidade. Não é uma pena deixar de ser judeu? Apesar de todas as perseguições e sofrimento, não somos um povo de coitados. Não devemos ter vergonha de nós mesmos. Somos o único povo que tem uma história que permeia todas as civilizações por 4 mil anos. Temos de encontrar os meios para ensinar nosso povo a conhecer a sua história. A nossa sobrevivência entre os povos, durante esses 4 mil anos, passou por muitas épocas distintas: 1) A época de nossos pais, de Abraham até a conquista de Canaã. 2) A primeira comunidade de 1200 até 586 antes da era comum (a.C.). A idade dos juízes, reis e profetas, guerras, divisões e rebeliões e também do nascimento de grandes verdades espirituais. Nessa época, o primeiro templo foi destruído. 3) A segunda comunidade, de 586 a.c. até ao ano 70 da era comum (d.C.), inclui a época da Diáspora dos judeus da Babilônia, o retorno e reconstrução do templo, os contatos com os persas e gregos, a luta dos chasmoneus e o jugo dos romanos. E nessa época aconteceu a destruição do segundo templo. 4) A história dos judeus do leste. Período do crescimento e declínio dos judeus na Babilônia e na Palestina durante mil anos da era comum, período do desenvolvimento do Talmud. Do aparecimento das religiões ocidental e oriental que se originam do judaísmo. 5) A Idade Média na Europa. Ela se entrelaça com a época anterior, pois os judeus traçaram sua história um ou dois séculos antes da era comum. As comunidades européias eram tão diferentes na sua origem e desenvolvimento que é impossível distingui-las dos judeus do leste. É dessa época o assentamento dos judeus em várias partes da Europa, a participação dos judeus no lento crescimento da cultura européia, as cruzadas e todas as desgraças que se seguiram. 6) A Época Moderna: do iluminismo, da revolução industrial, do Holocausto e do renascimento do estado de Israel. Todas as civilizações que conhecemos deixaram um registro de sua história através de coisas materiais. Sabemos disso pelas tábuas de pedras e pelas ruínas escavadas pelos arqueólogos. Tomamos conhecimento dos judeus, da nossa história e sobrevivência, desde os tempos primitivos ou imemoriais, principalmente pelas ideias que ensinavam e do seu impacto sobre outros povos e civilizações. Existem poucas tábuas, ou nenhuma, deixadas pelos judeus de antigamente, contando sobre batalhas, e poucas são as ruínas contando o antigo esplendor. O paradoxo é que os povos que deixaram monumentos como registro de sua existência desapareceram com o tempo, enquanto os judeus, que deixaram ideias, sobreviveram. A história mundial conferiu aos judeus seis desafios que ameaçaram sua sobrevivência. Os judeus emergiram desses desafios e viveram para enfrentar desafios subsequentes. O mundo pagão foi o primeiro desafio da sobrevivência judaica. Os judeus eram um pequeno bando de nômades, atores extras entre potências, tais como a Babilônia, Assíria, Fenícia, Egito, Pérsia. De que maneira conseguiram sobreviver como grupo cultural durante 1.700 anos de sua história, enquanto todas as outras nações entraram em conflito e foram aniquiladas? O que salvou os judeus foram as suas ideias, com as quais responderam a todos os perigos que enfrentavam. Tendo sobrevivido a 1.700 anos de peregrinações e perseguições, escravidão, dizimação em batalhas e em exílios, os judeus retornaram a sua terra natal para encontrar-se com o período greco-romano de sua história. Este foi o segundo desafio e um verdadeiro milagre, já que os judeus sobreviveram. Tudo o que era tocado pela Hélade (Grécia antiga) durante os anos mágicos de sua grandeza tornou-se helenizado, incluindo seus conquistadores: os romanos. A religião grega, a sua arte e literatura; as legiões romanas, a legislação e a forma de governo deixaram um sinete indelével em todo o mundo civilizado. Entretanto, quando as legiões romanas foram derrotadas, sua cultura entrou em colapso e morreu. As nações que foram subjugadas, primeiro pelos gregos, depois pelos romanos, desapareceram. Novas nações surgiram pelas forças das armas. Os judeus permaneceram, sobreviveram, não pela força dos seus braços, mas pela força de suas ideias. O terceiro desafio que os judeus enfrentaram consiste em um fenômeno incomparável e sem paralelo na história. Foram criados “dois judaísmos, ou duas vertentes do judaísmo”: uma, na Palestina; e, outra, iniciada na diáspora babilônica (diáspora, palavra derivada do grego, significa dispersão). Ainda hoje, a diáspora é o conjunto de judeus espalhados pelos quatros cantos do mundo gentio e, portanto, fora da Palestina, hoje Israel. Foi também a era da fragmentação do povo judeu em pequenos grupos, dispersos através de imensas áreas de terras e entre culturas, as mais divergentes, que se inicia na época da expulsão dos judeus de Jerusalém pelos babilônios, no VI século a.C., e se estende até o período no qual os judeus foram liberados dos guetos, no século XIX d.C. Como os judeus puderam manter-se longe da assimilação e da absorção em um mar de povos estranhos em torno deles? Os judeus enfrentaram esse desafio criando um código religioso legal – o Talmud Babilônico e o Talmud de Jerusalém. O Talmud sérvio de força aglutinadora e de reorganização espiritual. Esta foi a Idade Talmúdica de nossa história. No século VII, o judaísmo deu origem à religião maometana. E este foi o quarto desafio que os judeus tiveram de enfrentar. Em cem anos, o Império Maometano, o Islã, cresceu para desafiar a civilização ocidental. No meio dessa religião, os judeus não apenas sobreviveram, como ascenderam a um dos mais elevados píncaros de sua história na literatura e na ciência. O judeu dessa época tornou-se estadista, filósofo, médico, cientista, homem de negócios, capitalista cosmopolita. O árabe tornou-se a sua língua mater. Setecentos anos se passaram e o pêndulo oscilou. O mundo islâmico desintegrou-se e a cultura desintegrou-se com ele. O quinto desafio foi a Idade Média. Este foi o período mais negro da humanidade tanto para os judeus como para o homem ocidental. Foi um período de luta contra a extinção que durou 1.200 anos. Todas as nações não-cristãs foram derrotadas em nome da cruz, exceto os judeus, que emergiram desse período negro espiritualmente e culturalmente vivos. As ideias lançadas pelos seus grandes eruditos foram testadas e passaram pelo teste da sobrevivência. Quando as paredes dos guetos caíram, os judeus tornaram-se parte integrante do tecido da civilização ocidental em menos de uma geração. No transcurso de uma geração e ainda sob as sombras do gueto, tornaram-se primeiros-ministros, capitães da indústria, líderes militares, membros privilegiados de uma intelectualidade de vanguarda, que reformularam o pensamento europeu. O sexto desafio foi a Idade Moderna. O aparecimento do nacionalismo, da revolução industrial, do comunismo e do fascismo nos séculos XIX e XX e o surgimento simultâneo de uma doença virulenta no pensamento ocidental – o antissemitismo – foram um desafio muito especial para os judeus. Novas respostas de sobrevivência tiveram de ser forjadas para enfrentar esses desafios. Se as respostas foram adequadas ou não só o futuro poderá nos dizer. Vemos que a história dos judeus se desenrolou dentro de seis civilizações. Isso contradiz muitas escolas teóricas de história, que afirmam a impossibilidade dessa sobrevivência, pois em analogia toda civilização deve durar uma única vida, que subsiste em torno de 500 até, mais ou menos, mil anos. E, como vimos, os judeus contrariam essa tese, desde a sua formulação, uma vez que existem há 4 mil anos, cultivaram seis culturas e seis diferentes civilizações e muito provavelmente sobreviverão à sétima. Como se pode reconciliar esses fatos com a teoria? Este é o desafio que eu proponho à juventude, aos baalei teshuváh e à comunidade. E aos que permitam que o nosso grito penetre no coração dos seus filhos. Deixe o meu povo conhecer! Como? Estudando a nossa história, a história de nossos sábios, a nossa filosofia de vida, o pensamento judaico e, fundamentalmente, o símbolo real de nossa sobrevivência: a Toráh, que engloba o Tanach (Bíblia), a Mishnáh e o Talmud. E, por fim, sem ser o último desafio, cumprir os shabatót e todas as nossas festividades, tornar-se um membro ativo de nossa comunidade na educação, nos clubes, nas nossas instituições e nas sinagogas. E como dizia o Rabi Israel Salanter, na preparação para a festividade de Rósh HáShanáh, quando nos submetemos ao julgamento de D’us e nos tornamos uma pessoa reclamada pela sociedade. Rabino Professor Rubén Najmanovich Obras consultadas: 1) Understanding Judaism, by Rabí Benjamin Blech 2) Jews, God and History, by Max. I. Dimont 3) A History of The Jews, by Solomon Grayzel 4) Os Judeus, o Mundo e o Dinheiro, de Jaques Altali 5) História do Pensamento Judaico, de Raymond Berger

Rabino Professor Ruben Najmanovich

 O Futuro do Judaísmo ou o Judaísmo do Futuro


Foi Theodor Hertzl quem falou de "state heart" e "people heart": condição de estado e condição de povo. Hertzl acreditava que um estado próprio é o pré-requisito para a sobrevivência e unidade do povo judeu. Em termos hertzelianos, o estado é um meio para alcançar um fim maior, o estado é um ponto alto, mas o povo judeu é o objetivo máximo. Apesar da grandiosidade da fundação do estado, maior ainda é o desafio de garantir a continuidade do povo judeu. Gostaria de transmitir nesta mensagem de início de ano algo a respeito de tolerância religiosa ou compreensão entre os membros de nossa comunidade. A atual divisão dentro da comunidade judaica mundial constitui, na minha opinião, uma tendência destrutiva. Mais ainda que as atividades antissemitas ou judeofóbicas. Essa divisão traz consigo o grave perigo de um verdadeiro appartheid entre judeus ortodoxos e judeus liberais. Se nossa geração não consegue transpor em curto prazo as barreiras religiosas e ideológicas dentro da própria comunidade judaica, prevejo que no próximo século não haverá um povo judeu, em sim dois. Não pode haver futuro para um povo sem que haja união interna no presente, e sem presente não pode haver futuro. União, claro, não implica unanimidade. Implica que exista respeito pelas diferenças que naturalmente existem. O pluralismo é a essência da democracia e é o fundamento sobre o qual se assenta o judaísmo. A união é possível, penso, e digo isso com plena e sincera convicção. Sou consciente das tensões internas, que não são só ideológicas, há princípios em questão, há rivalidades que nem sempre são só ideológicas e ainda assim acredito que a união entre judeus é possível. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires, em Montevidéu e inclusive em Jerusalém. Acredito que é muito mais difícil defender na prática a unidade de nosso povo claramente e com a mesma seriedade com que o fazemos na teoria. Não me cabe como um judeu neo-ortodoxo (a linha ideológica à qual pertenço – sionismo religioso) falar sobre o que nossos irmãos liberais estão fazendo mal ou o que estão fazendo bem. Sobre nada disso posso opinar. E sim sobre o que nós devemos fazer em prol da união do Ishuv. Em vez de só denunciar a intransigência de nossos irmãos liberais ou reformistas, temos de adotar uma plataforma positiva que tenha em conta o presente e o futuro do judaísmo. Vou tratar de explicá-lo. Acredito que se deve pensar a respeito dos ortodoxos com o devido crédito. A dedicação ortodoxa a valores importantes da continuidade judaica, como a educação (Chinuch), constitui um bom exemplo para toda a comunidade. Inclusive o secularista declarado Nahum Goldman Z”L (extinto presidente do Congresso Judeu Mundial) sempre dizia que é mais seguro entregar Chinuch, programas de educação judaica nas mãos dos ortodoxos, pois são eles que obtêm os melhores resultados. São eles que conseguem transmitir mais a identidade judaica. São eles também que levam os meninos para encher as classes. Nossa postura em relação a essa situação deve manter-se equilibrada. É óbvio que muitas vezes setores da ortodoxia judaica ou do establishment ortodoxo (não incluindo os sionistas religiosos) usam o poder político e financeiro para reprimir o judaísmo localizado mais à esquerda do espectro judaico, criticando nossos irmãos judeus que pertencem a uma ortodoxia moderada (The Modern Ortodox). Porém devemos, com diálogo e tranquilidade, incentivar a relação com nossos irmãos judeus ortodoxos moderados, além de reconhecer os seus esforços por manter a continuidade do povo judeu. Isso sem deixar de marcar-lhes os erros por sua intolerância em relação ao comportamento daqueles que têm uma concepção diferente. É necessário que o diálogo seja constante entre judeus liberais e ortodoxos em todos os níveis, não só entre rabinos e dirigentes comunitários, senão, principalmente, entre as massas. Se estamos conseguindo superar através dessa atitude 2 mil anos de ódio e desconfiança entre cristãos e judeus (apesar da existência de setores totalmente totalitários em sua cognitiva forma de atuar), certamente somos capazes de superar o ódio e a desconfiança entre os próprios judeus. Vivemos hoje em dia em sociedades abertas e pluralistas, nas quais os judeus estão expostos a diversos modos de vida alternativos. E em cada ambiente, quanto mais modalidades de vida judaica forem oferecidas à comunidade, mais fortalecido fica o povo judeu como um todo. Se limitarmos as opções, as comunidades acabarão escolhendo opções não-judaicas. Este é um princípio elementar de marketing. Ainda nessa ótica de respeito mútuo, as diferentes correntes dentro do judaísmo necessitam da singularidade umas das outras para encher suas próprias carências internas; cada grupo precisa da ajuda e da presença dos outros. O movimento liberal precisa aprofundar seu sentido de tradição. Através do contato com uma família ortodoxa, o judeu não-ortodoxo pode captar melhor a beleza do Shabat e pode inclusive começar a observar essas tradições em seu próprio lar. A comunidade ortodoxa por sua vez precisa aumentar sua capacidade de responder com sensibilidade às questões universais contemporâneas. É uma das melhores formas de motivar os judeus ortodoxos no sentido da ação social séria através do conteúdo e contato com judeus liberais comprometidos nesse campo. Existem, obviamente, diferenças irreconciliáveis, mas isto não deve nos impedir de procurar áreas de cooperação e de interesse mútuo e de dar apoio ao Estado de Israel em primeiro lugar, sem realizar críticas destrutivas que alimentem culturalmente o ódio. Trabalho em prol do Chinuch e do Tarbut: educação judaica e cultura judaica. Um diálogo dentro da comunidade, que envolve, inicialmente, judeus moderados de ambos os lados, com a esperança de que com o passar do tempo um número maior de judeus ortodoxos se torne mais moderado na receptividade aos judeus de outras denominações. Nesse ínterim, assim como os moderados da ala ortodoxa são atacados pelos extremistas por querer dialogar e cooperar, também os judeus liberais não podem deixar-se intimidar pelos radicais, aqueles que se opõem a qualquer forma de diálogo. A meta prioritária para os judeus no começo de um novo milênio é irmanar-se. O ódio gratuito só pode ser superado por Ahavat Chinam, amor infundado, assim expressava o Grã-Rabino Abraham Itschac Hacohen Kook Z”L (Grã-Rabino de Eretz Israel antes da criação do estado judeu e pai do sionismo religioso). Há amigos que podem ser conquistados, alianças que se podem formar, uniões que se podem consolidar, novas opções que se podem encontrar. A não ser que os judeus aprendam a reconhecer uns aos outros, perderão o reconhecimento dos não-judeus. Então, em vez de procurar o fracasso uns dos outros, acredito que devemos rezar e trabalhar pelo bem-estar e êxito de todos. Para combater o extremismo judeu, necessitamos judeus conscientes, equilibrados, moderados, tolerantes e compreensivos. No cenário da vida judaica contemporânea, tão carente de moderação política e religiosa, é necessária uma grande dose de tradicionalismo e continuidade. É fundamental que os judeus assumam com orgulho e dignidade sua condição judaica e ao mesmo tempo apoiem o diálogo com representantes de outras correntes; é essencial que os sionistas se dediquem de corpo e alma ao bem-estar do estado de Israel e ao mesmo tempo se preocupem com os direitos humanos de outras minorias. No auge da ditadura, na Argentina, no Uruguai e aqui no Brasil, na década de 70, os militares enviaram uma mensagem aos líderes dos movimentos juvenis: “Cuidem dos radicais, que nós cuidamos dos nossos”. Esse é o papel dos judeus na América Latina, acredito. Então, dentro de nossas limitações, devemos cuidar de nossos radicais, tratar de que sua percepção da verdade não passe disso, de uma mera percepção, para que não seja desviada. Devemos mostrar-lhes que somos todos filhos de um mesmo D’us, portanto só alcançaremos nossos objetivos se desarmarmos o espírito e nos empenharmos com determinação no entendimento mútuo. O primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon deu mostra de seu equilíbrio, em seus desejos em procura da paz, apesar de ainda não haver um interlocutor. Meu sonho para o judaísmo latino-americano, em termos de um futuro quantitativo e qualitativo, é que haja mais harmonia dentro das comunidades judaicas, mais respeito entre rabinos, mais respeito entre dirigentes comunitários, mais compreensão entre judeus ortodoxos e liberais, ashquenazim e sefaradim. Que as divergências se restrinjam às idéias e não se apoiem em vaidades pessoais e jogos de poder. Que haja mais conteúdo judeu nos projetos comunitários e menos ostentação. Que os intelectuais judeus na América Latina recebam o mesmo status que os empresários judeus. Que os judeus latino-americanos se conscientizem de que seu destino está intrinsecamente ligado ao destino de Israel e que tal conscientização se reflita em atos concretos de solidariedade. No novo milênio, há problemas externos que devem ser superados, mas os primeiros passos são enfrentar e vencer os desafios internos. E que o início de ano nos traga motivos para acreditar que tempos melhores virão para nossa comunidade, para o estado de Israel, para o povo judeu e para a sociedade de Israel. Que assim seja. AMÉM

Rabino Professor Ruben Najmanovich

 Palavras do Rabino


Queridos Irmãos: Nesta época do ano, É o momento no qual temos que importar-nos, não só conosco, mas também com o próximo, com nosso meio, com nossa Comunidade e principalmente com nosso Povo, O Povo Judeu. Saibam, que este período de reflexão, nos convida realizar atos de caridade, aprofundar meditação através das orações e realizar atos de arrependimento, de Teshuváh, de volta à nossas origens. É um período onde devemos estender nossas mãos, colaborar, cada um dentro de nossas sinceras e reais possibilidades, para seguirmos fortalecendo o Judaísmo, que é a verdadeira e única vacina contra todos que almejam nosso desaparecimento. Dizem alguns sábios da cultura em geral que o Povo Judeu é o termômetro para medir as atitudes intolerantes; Que, quando aparecem movimentos contra as liberdades, os judeus os detectam. Presenciamos isto nos últimos tempos, tempos de intolerância, de difamação, deturpação da verdade e dum julgamento injusto contra nosso povo que deu dá tanto para Humanidade. Portanto, desejamos seguir crescendo e este crescimento decorre da nossa força, que se distingue quando estamos em União. Desejamos continuar com a corrente milenar do Povo Judeu e convido-te a ser parte desse crescimento, contribuindo, esticando tuas mãos para permitir que juntos, possamos seguir sendo esta Luz que ilumina as nações, pelos valores humanos que nos ensina o judaísmo.

Rabino Ruben Najmanovich

 Preceitos e costumes do luto


A morte no judaísmo Uma hora após o falecimento, o corpo deve ser depositado com os pés em direção à porta, coberto com um lençol ou cobertor. Acendem-se velas junto à cabeça e não se deixa o corpo sozinho. Kohanim Um Cohen (sacerdote) não pode ficar sob o mesmo teto onde há uma pessoa falecida, exceto se o morto fôr pai, mãe, irmão, irmã solteira ou filho ou de alguém que não possua familiares. Os últimos rituais A "tahara" (purificação) do corpo para o enterro deve ser feita com dignidade e de forma apropriada. Os integrantes da “Chevra Kadisha” (sociedade sagrada) são responsáveis por esta tarefa. Os enlutados Os enlutados são as pessoas que perderam pais, irmãos filhos ou esposo(a). São eles que devem seguir o ritual de luto. O enterro Deve ser realizado, quando possível, no mesmo dia do falecimento. É possível adiar o enterro quando se espera parentes vindos de locais mais remotos. É uma “mitzvah” (beneficência) acompanhar um enterro até a sepultura – de fato é uma homenagem que nunca será retribuída ou agradecida pelo homenageado. Ao sair do cemitério deve se fazer o “netilat yadaim” (lavar as mãos). O luto O luto começa no dia do enterro. Os enlutados rasgam um pedaço da roupa que vestem. O luto dura 7 dias “shivah”. Nestes dias os enlutados permanecem descalços e com a mesma roupa rasgada e são servidos por amigos e parentes. Não devem sair de casa desacompanhados. É costume sentar no chão. Não se mantém relações íntimas. Não se cortam cabelos e barba ou unhas nesse período. O Shabat corta o luto, isto é, de sexta feira ao por do sol até sábado ao por do sol os enlutados não estão de luto. O luto recomeça sábado após o por do sol, até o sétimo dia. mantém acesa uma lamparina na casa onde se faz o luto. Os homens enlutados rezam o Kadish. Costuma-se fazer as rezas de "Shacharit" (manhã) e "Arvit" (noite) na casa onde se mantém o luto. Para falar o "Kadish" é necessário haver pelo menos 10 homens maiores de 13 anos (após terem feito Bar Mitzváh). Após o sétimo dia joga-se a roupa rasgada e os enlutados saem da Shiváh após o shachrit. Shloshim Durante 30 dias é mantido o luto. Nesse período não se faz a barba. Não se deve participar de festas. O ano O luto dura um ano (11 meses lunares). No decorrer do ano se faz a lápide e deve se recitar o Kadish diariamente (durante 11 meses e três semanas). Terminado o período sai-se do luto e não há restrição alguma. Após o ano o Kadish se recita nos aniversários do falecimento ou nas grandes festas.

Rab. Ruben Najmanovich

 A Grandeza Moderna


Para nos relacionar com nosso próximo, a palavra chave é bondade! A Toráh nos instrui que devemos "guardar os mandamentos de D’us e caminhar em Seus caminhos" (Deuteronômio 28:9). Jafetz Chaim observa que as duas cláusulas indicam que isto é um processo de duas etapas. "Manter os mandamentos" é bom na medida em que isto nos leve a "caminhar nos caminhos de D’us" – isto é, aperfeiçoar nosso caráter. Há uma história da época anterior a Segunda Grande Guerra na Europa, quando os judeus se preocupavam com sua segurança e brigavam para obterem vistos de saída. Um dos estudantes do Rabino Aaron Kotler decidiu fazer uma grande viagem de trem, com a esperança de que os documentos que lhe permitiriam sair estivessem esperando por ele na cidade portuária. Numa parada de conexão no meio do caminho, o estudante foi surpreendido pela repentina aparição do rabino Kotler. "Rabino, o que está fazendo aqui?", perguntou o incrédulo estudante. "Logo depois que tu partiste chegou um telegrama dizendo que, efetivamente, teus documentos estão prontos no porto", explicou o Rabino Kotler. "Assim, vim por outro caminho e me apressei, a fim de te encontrar aqui para que ficasses tranqüilo durante o resto da viagem!" Uma sociedade se define por seus heróis. Serão atletas e estrelas de rock? Ou será D’us Todo Poderoso? A quem você gostaria que seus filhos seguissem? Shabat Shalom!

Rabino Shraga Simmons

Resolução Mínima Recomendada de 1024 x 768 pixels