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Judaísmo Com Sentido

 O Mês (Chodesh) Av


O mês de Av (Menachem Av): (Acontecerá 12 de Julho de 2010 – 1 de Menachem Av) O mês de Av é o décimo primeiro mês do calendário judaico na contagem a partir da Criação do mundo, e o quinto na contagem a partir da saída do Egito. O nome “Av” não é mencionado na Bíblia; seu nome em assírio era “A-bu”, e há quem sugira ser esta uma redução do nome “Abu Sareni”, que significa “o mês das colheitas”. No calendário do agricultor hebreu, encontrado nas escavações de Guezer, o mês é denominado “a lua [o mês] do verão” (colheita das frutas do verão). O mês de Av era um dos seis meses nos quais partiam enviados do Beit Din (tribunal religioso) de Jerusalém para avisar aos judeus da Diáspora qual fora o dia estipulado pelo Sanhedrin como início do mês (Rosh Chodesh), para que pudessem cumprir na data certa o jejum de 9 de Av. No passado remoto, o mês de Av era considerado um bom mês, por ser a época da colheita da uva e das primícias das frutas do verão. Com o passar dos tempos, porém, ocorreram neste mês muitas desgraças e infortúnios, e ele tornou-se um mês de luto e tristeza, conforme definiram nossos sábios: “Quando começa o mês de Av, diminui a alegria”. Por isso, acrescentaram a seu nome o adjetivo “consolador” (Menachem Av): que possamos alcançar o consolo e a redenção, e que nosso sofrimento se transforme em júbilo. Trata-se ainda de uma alusão ao nome do Messias, que é Menachem, e que, segundo a tradição, nasceu no dia em que o Templo foi destruído (9 de Av). Durante os nove primeiros dias de Av não comemos carne, não bebemos vinho nem realizamos nenhum festejo, inclusive casamentos. Há muita gente que já adota esses costumes de luto a partir de 17 de Tamuz. Os dias entre 17 de Tamuz e 9 de Av são chamados “os dias de angústia” ou “as três semanas”. O sábado que antecede o dia 9 de Av é chamado “o sábado da calamidade” ou Shabat Chazón (já que Haftaráh a seção dos Profetas lida nesse Shabat, corresponde ao Profeta Isaias e inicia com as palavras de chazón Ishaiahu), lembrando as desgraças que sofreu o Povo de Israel neste mês; e o sábado posterior a 9 de Av é conhecido como “o sábado do consolo”, por causa da Haftará que é lida neste dia, e que começa com as palavras: “Consolai, consolai o Meu povo” (Isaías 40:1). A partir daí contam-se “sete sábados de consolação”. A única festa que o Povo de Israel celebrava no passado remoto no mês de Av era o dia 15 de Av, quando as jovens da Judéia vinham dançar nos vinhais; os rapazes solteiros vinham, então, escolher uma noiva entre elas. Assim diz Rabi Shimon ben Gamliel: “Não havia dias melhores em Israel do que o 15 de Av e o Yom Hakipurim, quando as jovens de Jerusalém saem com vestes brancas emprestadas, para não envergonhar aquelas que não possuem uma” (Tratado Taanit IV 5). O costume de vestir roupas emprestadas tinha por objetivo anular as diferenças de classe social ou econômica. Foi em 15 de Av que Oséias filho de Elá retirou os sentinelas que Jeroboão filho de Nebate havia colocado nos caminhos, a fim de impedir que os habitantes do Reino de Israel fizessem peregrinação a Jerusalém. Tais sentinelas tinham sido colocados por Jeroboão, Rei de Israel, por recear que o outro reino – o de Judá –aproveitasse a presença dos peregrinos, tornando-se mais poderoso do que Israel. Os sentinelas, portanto, impediam à força que o povo fosse ao Templo em Jerusalém; ao mesmo tempo, Jeroboão tentou criar substitutos do Templo, e colocou duas imagens de bezerro, uma em Dan e outra em Beit-El. Dessa maneira a divisão em dois reinos tornou-se um fato consumado, o que causou a disseminação da idolatria. O último dos Reis de Israel, Oséias filho de Elá, retirou os sentinelas no dia 15 de Av, deixando livre para os peregrinos o caminho a Jerusalém, trazendo a reconciliação entre as duas partes do povo. O signo do mês: O signo de Menachem Av é Leão, o rei dos animais.

Rabino Prof. Ruben Najmanovich

 A Teshuváh


Teshuva Transgressões em méritos? Aprendemos que quando uma pessoa faz teshuvá, todas as suas transgressões são perdoadas, melhor ainda, são transformadas em mitsvot. Sendo assim, gostaria de saber, o que acontece quando essa pessoa falece e fica perante o Tribunal Celeste, onde tudo o que ela fez de bom ou de ruim é apresentado como num "filme". Essas transgressões, então, não aparecem nesse filme? RESPOSTA: Tudo que ocorreu em sua vida aparecerá neste "filme", tanto suas boas ações quanto suas falhas. Se o homem já nascesse perfeito qual a razão que D'us teria para enviar sua alma novamente para a terra? O objetivo de um judeu ao vir a este mundo é cumprir sua missão ao longo de sua vida. Pode levar um dia, meses ou anos. Ele não sabe qual é seu objetivo aqui, mas reconhece, ou deveria, que ao longo de sua vida lhe foi dado um Manual de Instruções, que é a Torá, pelo Criador do Universo. Através dela poderá escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. É desta batalha diária que se deverá sair vencedor. A recompensa de cumprir uma mitsvá é a própria mitsvá e a certeza de estar realizando o plano Divino que resulta em paz e bênçãos. Se nos esforçarmos neste sentido e com sinceridade neste caminho não teremos nada para ocultar na tela. Já pensou ter realizado um best seller? Imagine podermos usufruir confortavelmente de uma "sessão" especial, sem censura, e sem sentir vergonha. O "Happy End" de nosso roteiro de vida, será o esforço de termos persistido em cumprir a vontade de nosso "Diretor" colocando em prática Seus ensinamentos.

Bêt Midrash Lebanim (Depart. Estudos Univ.)

 Shabat


O SHABAT Fundamento de todas as festividades judaicas, o Shabat é o símbolo da santificação do tempo, outorgando sentido à tarefa realizada pelo Criador nos seis dias anteriores. O homem reproduz em sua vida aquilo que o criador do universo realizou: seis dias de Criação e o sétimo dia dedicado ao descanso, à reflexão e à contemplação da obra criada. O Shabat está em conexão com os seis dias de trabalho e um não existe sem o outro. Em cada Shabat, o homem interrompe a modificação que opera em seu meio (de onde vêm as tarefas proibidas no Shabat), a fim de alcançar a harmonia com a natureza, com os animais, consigo mesmo e com seus semelhantes. Ao valorizar o Shabat, o homem valoriza a si mesmo. Por isso, o Shabat tornou-se o maior fator de progresso da civilização e de bem-estar da alma humana. Graças ao Shabat, estabeleceu-se o princípio segundo o qual os homens têm o direito de viver livres da escravidão imposta pela ininterrupta luta do dia-a-dia e de desfrutar, no seu sentir e pensar, a liberdade necessária para poder refletir sobre a sua origem divina. Não consideramos o Shabat apenas como um mandamento Divino, mas sim como um presente de Deus, que tem elevado a vida do povo judeu. A transformação que ocorre na observância do Shabat desenvolve em nós a sensação e a certeza de que uma alma adicional (“Neshamáh Yeteráh”) nos envolve durante todo o dia sagrado e nos deixa quando este chega ao seu fim. Este é o motivo do carinho e da majestade que o Povo Judeu atribui a sua “Shabat Hamalcáh” (“Rainha Shabat”). Um sentimento que é expresso de forma maravilhosa quando cantamos o hino “Lecháh Dodí” e, na última estrofe, quando todos os fiéis voltam-se para a entrada da sinagoga recebendo simbolicamente a “Noiva Shabat” e toda sua santidade. Os cânticos do Shabat recitados no lar, antes e depois das refeições, despertam em nós a convicções plenas de que o povo judeu jamais deixará de observar este dia sagrado, conforme está afirmado no Talmud: “O Shabat nunca desaparecerá de Israel”. O nosso desenvolvimento histórico-social nos leva a crer que mais do que o povo de Israel tem conservado o Shabat, é o Shabat que conserva o povo de Israel. Na tradição judaica, a observância do Shabat está ligada à redenção do povo de Israel da escravidão do Egito; liberdade esta expressa, não apenas no aspecto físico, mas também no espiritual. A fé em D’us é enfatizada no cumprimento do preceito estabelecido após a Criação: “Vayishbot baiom Hashevií” (“E o Criador descansou no sétimo dia”). A diferenciação entre o Shabat e os dias úteis da semana está na sua própria definição nominal, pois os outros dias são chamados de “dia primeiro”, “dia segundo” e assim por diante, enquanto somente o Shabat tem nome próprio. O arranjo da mesa para o jantar merece uma atenção especial da mulher, pois é através dela que a santidade do Shabat entra no lar. Uma toalha branca, os castiçais, duas chalot cobertas por um pano especial, vinho casher para o kidush, sal, etc. Normalmente, acendemos no mínimo duas velas, porém alguns costumam acendê-las de acordo com o número de membros da família. As duas velas simbolizam as suas expressões de respeito ao Shabat que aparecem nas duas versões dos Dez Mandamentos: “Zachor” (“Lembre”) e “Shamor” (“Guarde”). Antes do acendimento das velas, é costume contribuir para obras beneficentes, recolhendo donativos à “Tsedakáh” (“Caridade”).

Rabino Prof. Ruben Najmanovich

 Chodesh (Mês) Tamuz


O mês de Tamuz Rosh Chodesh (2 dias) 12 e 13 de Junho (30 de Sivan e 1 de Tamuz) O mês de Tamuz é o décimo na contagem da Criação do mundo, e o quarto na contagem da saída do Egito. Seu signo é câncer. O nome “Tamuz” tem sua origem no nome assírio “Damuzi”. No calendário do agricultor hebreu, encontrado nas escavações de Guezer, o mês é denominado “a lua [o mês] da poda”. Nas Escrituras há várias menções ao “quarto mês”; o nome “Tamuz”, porém, aparece apenas uma vez, referindo-se a um ídolo assírio ou babilônio (Ezequiel 8:14). Ao regressarem do exílio da Babilônia, os judeus passaram a usar o nome “Tamuz” para designar o quarto mês, e desde então seu uso ficou consagrado, sendo comum nos escritos de nossos sábios. Convém destacar que “Tamuz” é o nome de um ídolo babilônio, o deus do florescimento e do despertar da natureza na primavera. Ele reinava durante os três meses da primavera: Nissan, Iyar e Sivan; no quarto mês, quando a vegetação resseca por causa do sol [pois durante todo o verão não chove], ele morre, e as mulheres choravam sua morte anualmente. O calor do verão torna-se intenso em Tamuz: “O sol está presente para amadurecer as frutas e trazer o verão” (Tratado Pêssachim 94). O Midrash Yalkut Shimoni (Jeremias CCCXXXV) diz: “Envergonhados estamos porque ouvimos opróbrio’ (Jeremias 51:51) – trata-se de uma alusão a 17 de Tamuz. ‘Vergonha cobriu-nos o rosto’ (ibid) – trata-se de uma alusão à destruição do Primeiro e do Segundo Templo”. Os dias entre 17 de Tamuz, chamado “o jejum do quarto mês” e 9 de Av, o “jejum do quinto mês” foram um período difícil e doloroso para o Povo de Israel, e são chamados “os dias de angústia”, conforme o versículo das Lamentações de Jeremias 3:1: “Todos os seus perseguidores a apanharam nas suas angústias”. Não há alegria nestes dias, que são denominados também “as três semanas de luto”: “Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem untei-me com óleo algum até que passaram as três semanas inteiras” (Daniel 10:2-3). Segundo a profecia de Zacarias (8:19), o “jejum do quarto mês” transformar-se-á no futuro em dia de regozijo, juntamente com outros dias de jejum estabelecidos pelas Escrituras.

Rabino Prof. Ruben Najmanovich

 A Grandeza Moderna


Para nos relacionar com nosso próximo, a palavra chave é bondade! A Toráh nos instrui que devemos "guardar os mandamentos de D’us e caminhar em Seus caminhos" (Deuteronômio 28:9). Jafetz Chaim observa que as duas cláusulas indicam que isto é um processo de duas etapas. "Manter os mandamentos" é bom na medida em que isto nos leve a "caminhar nos caminhos de D’us" – isto é, aperfeiçoar nosso caráter. Há uma história da época anterior a Segunda Grande Guerra na Europa, quando os judeus se preocupavam com sua segurança e brigavam para obterem vistos de saída. Um dos estudantes do Rabino Aaron Kotler decidiu fazer uma grande viagem de trem, com a esperança de que os documentos que lhe permitiriam sair estivessem esperando por ele na cidade portuária. Numa parada de conexão no meio do caminho, o estudante foi surpreendido pela repentina aparição do rabino Kotler. "Rabino, o que está fazendo aqui?", perguntou o incrédulo estudante. "Logo depois que tu partiste chegou um telegrama dizendo que, efetivamente, teus documentos estão prontos no porto", explicou o Rabino Kotler. "Assim, vim por outro caminho e me apressei, a fim de te encontrar aqui para que ficasses tranqüilo durante o resto da viagem!" Uma sociedade se define por seus heróis. Serão atletas e estrelas de rock? Ou será D’us Todo Poderoso? A quem você gostaria que seus filhos seguissem? Shabat Shalom!

Rabino Shraga Simmons

 Pérolas Judaicas / Lag Baomer


LAG BAOMER O trigésimo terceiro dia (na aritmética, Guimátria, do uso das letras: Lag) da contagem do Omer, que cái no dia 18 do mês de Yiar, é dia de festa, segundo a tradição de Israel, no qual são cessados os costumes de luto que se conduzem nos dias da contagem. Neste dia, armam-se os pálios para as cerimônias matrimoniais e cortam-se os cabelos. As crianças costumam neste dia, sair em direção aos bosques do Kéren Kaiémet Leisrael (FundoNacional Judaico) e brincar de jogos que usam de arco e flecha. A comemoração de Lag Ba’omer é costumeira desde a época dos Gaonim (título conferido aos chefes das Academias na Babilônia); mas a sua fonte original é bastante incerta. Segundo a tradição (Tratado Yevamot, página 62, folha B), foi estancada, neste dia, a epidemia que acometera os discípulos do Rabi Akiva, e que fizera perecer milhares de vítimas (a mesma epidemia que devido a ela, é costumeiro enlutar-se nos dias de “contagem do Omer”). Na época da revolta contra os romanos, sob a liderança de Shimon Bar-Cochba (132-135 de nossa era). E segundo a tradição, neste dia faleceu o Rabi Shimon Bar-Iochai, o autor do livro “Zohar”, e por conseguinte, costuma-se, neste dia realizar uma comemoração de júbilo em seu túmulo, no monte Meiron, ao lado da cidade de Tzfat (Safed). O Ari (Rabi Itzchak Ben Shlomo Luria), um dos grandes cabalistas na terra de Israel (1534-1572) e seus discípulos, cabalistas de Tzfat, costumavam viitar os túmulos de Shimon Bar-Iochai e de seu filho, Eliezer, no dia de Lag Ba’omer, no monte Meiron, e as lendas contam que neste dia, foi habilitado o Rabi Shimon Bar-Iochai por intermédio de seu mestre, Rabi Iehuda Ben Gueira, como também foi o dia de núpcias do Rabi Shimon Bar-Iochai. Com o correr dos tempos, Desenvolveu-se a “comemoração (exaltação jubilosa) do Rabi Shimon Bar-Iochai” em torno de seu túmulo, e hoje em dia, organiza-se no monte Meiron, na noite de Lag Ba’omer, grandes festanças. Ela é caracterizada por uma procissão, que se origina em Tzfat, com tochas acesas e com o acender de fogueiras, danças, e o primeiro corte de cabelo de crianças com a idade de três anos, ao lado de seu túmulo (cerimônia de Chalaká). Judeus religiosos que chegam a Meiron no dia de Lag Ba’omer estudam o Livro do “Zohar”, entoam canções religiosas, acendem velas em memória, e também visitam os túmulos vários de Rabis e Sábios que se encontram naquelas proximidades. A semana em que se comemora Lag Ba’omer, o Exército de Defesa de Israel (Tzahal), dedica uma semana para a Gadná (Batalhões da Juventude, serviço pré-militar), cuja bandeira é o arco e flecha. Muitas hipóteses foram levantadas, com respeito ao significado da data de Lag Ba’omer. Segundo uma delas, foi vencido o exército de Bar Cochbá, numa série de derrotas, até aquele dia, e então no trigésimo terceiro dia da contagem do Omer, obtiveram as suas forças uma grande vitória. Isto fez com que a moral do povo se elevasse em tal medida, que este dia foi promulgado com festa para todas as gerações vindouras. Uma outra hipótese, que também faz a ligação entre Lag Ba’omer e um evento de caráter militar, mas de época anterior, relata Iosef Ben Matitiahu (Flavius Josephus) em seu livro “As guerras dos Judeus”, quando ele narra a erupção da primeira revolta contra os romanos, no ano 66 de nossa era. Um grupo de fanáticos, que intentava revoltar-se contra o poder opressivo do império romano, e resolveram empunhar as armas no dia 18 de Iyar. Com o objetivo de não despertar suspeitas por parte dos romanos, codificaram a data da programada revolta sob a senha de “Lag Ba’omer”. No raiar do dia de Lag Ba’omer, foram acesas tochas nos altos dos montes, ao longo de todo o país, e assim foi dado o sinal a todos os rebeldes a respeito do início da revolta. E segundo este relato, conserva-se a tradição de acender tochas e fogueiras na noite de Lag Ba’omer. Por conseguinte, sendo esta ou aquela razão, recebeu este dia um significado na história nacional judaica. Mesmo depois de serem derrotados, conservaram os judeus a comemoração de Lag Ba’omer, com o intuito de lembrar às futuras gerações a sua luta desesperada pela liberdade. Mas as novas circunstâncias políticas não permitiram comemorar publicamente. Como conseqüência, foi registrado Lag Ba’omer clandestinamente, no decorrer de muitos anos, e que no decorrer dos tempos, pelo visto, sua verdadeira origem foi esquecida.

Rabino Rubén Najmanovich

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